Sunday, 18 September 2016

O peso das decisões

Há quatro anos atrás nunca me passou pela cabeça que fosse tão difícil mudar uma rotina. Não. Nunca me passou pela cabeça que fosse de todo assim tão difícil. No início, senti alívio e liberdade. Afinal de contas pela primeira vez decidi tomar conta da minha própria vida. Completamente independente de qualquer tipo de ajuda. Era um passarinho livre. No entanto há medida que os dias, os meses, os anos foram passando, tem-se tornado cada vez mais difícil cooperar e manter-me fiel à minha decisão. Embora não tencione mudar de ideias, é-me muito difícil aceitar certas situações.
Muita coisa aconteceu e tem acontecido desde a minha vinda para cá. Embora as notícias boas não sejam fáceis de transmitir sem qualquer tipo de celebração, as más notícias são as que me deitam completamente abaixo. Nesses momentos mais complicados sinto-me completemente inútil e impotente por estar tão longe. Quero com todas as minhas forças e com toda a minha vontade estar lá com e para a minha família e os meus amigos e no entanto cá estou tão longe de tudo e de todos. Sem puder reagir. Sem puder ajudar. Sem puder estar lá.
Hoje o meu avô (o mais chegado a nós e que sempre passou grandes momentos da nossa vida junto de nós) partiu. Esta noite mais uma estrela se irá formar no céu. Mais um anjo para me proteger nesta corrida à qual eu chamo de Vida.
Embora não me apeteça falar no assunto, quero insistir e fazer ver que apesar de ter sido minha a decisão e voluntária de vir viver para outro país não quer dizer de todo que tenha sido uma decisão fácil, muito pelo contrário, é e tem-se provado uma decisão extremamente difícil. Só gostava de puder estar perto daqueles que amo num momento tão triste como este.

Sunday, 11 September 2016

Mais problemas


Quando pensavas que ja' nada precisava arranjo e tudo estava ordem, mais problemas bombasticos veem 'a tona. Ha' ja' algum tempo que o meu sistema de drenagem do chuveiro esta' constantemente a entupir. E porque? Porque claramente este chuveiro nunca foi limpo! Num espaco de segundos se nao fechasse a torneira bem que teria um rio de agua no meu estudio! Desse modo, ja' demonstrei o meu descontentamento para com a Agencia que lida com estes assuntos em nome do senhorio. Como se nao bastasse como da' para perceber pelas fotografias, nao sei como e' que isto passa qualquer teste de seguranca, mas pelos vistos passou. O suporte da lampada como veem esta quebrado e queimado, de acordo com a lei em Inglaterra isto nao e' seguro de usar e no entanto ca estamos diante deste problema. Na passada sexta feira la vieram reparar estes problemas, nao sei se por tempo determinado mas com certeza mais problemas vao voltar a aparecer. Ja la vao dois meses e os problemas nao param. Quando cheguei a casa deparei-me com a falta de maneiras e de respeito para com as pessoas que vieram arranjar estes problemas. O meu balde de lixo estava completamente aberto expondo claro esta o cheiro do lixo pelo estudio todo. Como se nao bastasse pelos vistos fizeram uso das minhas toalhas para limparem as maos. Nao seria um aborrecimento se deixassem as coisas em order, e e' so' isso que peco. Um pouco de respeito e boas maneiras, nunca fez mal a ninguem. E sempre ouvi dizer que se encontras algo que nao te pertenco deves deixa-lo do mesmo jeito que encontraste. E isso raramente acontece comigo sempre alguem aparece no apartamento. A verdade e' que me sinto desmotivada e farta deste comportamento por parte da Agencia e do Senhorio. Nao ha qualquer tipo de respeito. Estou para ver o que se segue.

Sunday, 21 August 2016

La' e ca'

Nem sei por onde comecar, tanto tem acontecido nos ultimos meses. O meu desaparecimento deve-se ao facto de nao saber para onde me virar. De me sentir perdida e desmotivada. Em Abril foi-me dito que o meu ultimo dia com a Heineken seria no dia 15 de Julho de 2016. A verdade e' que nao queria usar as minhas ferias para depois voltar e tentar organizar o trabalho que os outros nao fizeram e como isso so iria trazer dores de cabeca, optei por usar os meus ultimos dias com a Heineken em ferias. Ferias que tirei para ir visitar os meus em Portugal. Entao la' fui dia 2 de Julho a 16 de Julho la fui eu para o calor abrasador de Portugal e o carinho e companhia da familia. Mas ate' entao nao descansei. Noite e dia tentei sempre procurar por um outro emprego uma vez que o desemprego encontrasse mais proximo e mais real. Antes de ir de ferias tive varias entrevistas ca em Leeds, mas tambem quando estive em Portugal tive entrevistas e reunioes marcadas por telefone. Foram tanto dias de relaxamento como de stress e nervosismo. Mas enquanto durou tive a oportunidade de matar saudades com tudo e com todos. Tentei passar a maior parte do tempo fora de casa para nao pensar muito num futuro inevitavel.


Passei os meus dias com familia e amigos no Porto, no Rio Douro, em Santo Tirso no Monte de Nossa Senhora da Assuncao, na Maia, em Vila de Conde, visitamos a Torre dos Clerigos e fomos tambem 'a Capela do Senhor da Pedra. Foram todos eles dias muito bem passados. Mas uma vez chegado ao fim a realidade volta a bater 'a porta e infelizmente sendo como sou, nao ha como nao entrar em stress.
No dia 1 de Julho ja tive acesso ao meu apartamento/ estudio, mas nao foi ate' ao dia 23 de Julho que me mudei para la. Isto porque a minha prioridade acima de tudo era conseguir emprego. Depois de dias dedicados a isso mesmo la arranjei um trabalhinho a meia hora de casa e foi sem duvida o que me deu maior alegria. A partir dai achei que as coisas so tendiam a melhorar. Mas infelizmente quando me mudei para o estudio foi quando tudo comecou a dar para o torto. Desde que la estou que ja tive de mencionar e exigir reparo de nao sei quantos problemas, e a verdade e' que cheguei mesmo a desistir de tentar uma vez que o meu contracto e' de apenas 7 meses. Sim, eu sei. E' muito pouco tempo, mas e' o necessario para entender no que vai dar e perceber o que e' o melhor. Durante as primeiras semanas foi uma dor de cabeca pois o senhorio/ Agencia que age em funcao de, nao foram das pessoas mais flexiveis, muito pelo contrario. Foram precisas semanas de constante reclamacao e demonstracao de descontentamento. Como disse, no inicio deixei-me afectar e senti-me perdida sim. Mas depois de algumas coisas ja reparadas e conquistadas confesso que devo ter atingido o patamar de serinidade. Ou assim espero.


Para alem de todas as preocupacoes, nao me posso queixar. Felizmente a vida corre-me bem, mas confesso que foram dias de lagrimas e desespero. Entretanto as coisas no trabalho correm bem, em casa correm bem e bem para ja nao preciso de mais nada.

Sunday, 19 June 2016

Desaparecida

A verdade é que mais uma vez me encontro desaparecida deste canto meu. Ando mais desaparecida do que aquilo que desejava, mas a verdade é que as preocupações são neste momento mais que muitas e resolveram actuar todas ao mesmo tempo, como se de um espectáculo se tratasse. O fim do contracto com a Heineken está mais próximo de que nunca. O dia 30 de Junho será o meu último dia nesta empresa (com o qual tanto aprendi, e nesse sentido estou para sempre grata), pois tenciono tirar os meus 11 dias de férias para passá-los com a minha família em Portugal (enquanto posso e me é permitido). O contracto na verdade acaba oficialmente no dia 15 de Julho e até esse dia receberei aquilo a que tenho direito e que me está em falta. Como se não bastasse no dia 1 de Julho mudo-me para um novo espaço. Um espaço só meu e do qual já assinei contracto para garanti-lo meu até ao próximo mês de Janeiro 2017. Como se não bastasse o seguro do carro renova agora no dia 21 de Junho e como se não bastasse os resultados da NIP já chegaram também. E não foram notícias famosas mas previsíveis, o que implica uma mudança na oferta do seguro do carro. Isto é, mais custos do que aqueles previstos. Enquanto tudo isto acontece, o dinheiro continua a fugir-me por entre os dedos e não há forma de me garantir um emprego antes de ir a Portugal. Confesso que ando a ficar stressada e ando a entrar em pânico com tudo isto e estou mais perto de arrancar os meus cabelos do que outra coisa qualquer coisa neste momento. MAS, é tentar manter a calma. Ver as coisas pelo lado positivo e tentar arranjar força onde ela não existe. Pois sejamos honestos, pois não sou hipócrita e eu também sei comparar-me a casos piores e reconhecer que realmente estou numa situação onde se justifica uma volta de 180º graus considerável e que tudo pode mudar. Há que acima de tudo manter o positivismo e a esperança lá no alto. Até lá, até a situação estar minimimante estável por estes lados, é capaz de acontecer o seguinte: das duas umas não me verem tão frequentemente por estas bandas, ou verem-me constantemente a queixar-me. E a esse nível não quero eu descer, pelo que sou capaz mesmo de me recatar por uns tempitos até a coisa mudar de figura. Coisa pouca, espero.

Saturday, 4 June 2016

Com os erros aprendemos

Aprendemos a ter o cuidado de não julgar o outro e aprendemos a não voltar a cometer o mesmo erro. Há coisa de duas semanas recebi um NIP (Notice of Intended Prosecution) no correio e tive vergonha de vir aqui partilhar com vocês este terrível erro cometido por mim e do qual não me orgulho nada. Quando recebi a carta senti-me tão nervosa que não sabia o que fazer. Um NIP é basicamente uma carta da Polícia a exigir dados de um condutor de um carro que excedeu o limite de velocidade numa determinada área e foi apanhado em câmera de laser. A condutora desse carro fui eu e sim fui apanha a exceder o limite de velocidade de um determinada zona. Não vou mencionar valores pois acho que não têm qualquer importância e nem me orgulho de tal erro, pelo que não vejo necessidade de o mencionar. Nesse mesmo dia, preenchi todos os meus dados que a carta exigia e no espaço de minutos foi entregar a carta aos correios. Preocupações destas são coisas que não tenciono manter nas minhas mãos por muito tempo, pelo que tive necessidade de me desfazer delas com a máxima urgência! Assim que cheguei a casa li tudo a respeito de violações deste caso, exemplos semelhantes cometidos por outros condutores, consequências, limites de velocidade, li tudinho a respeito deste assunto. E apesar de tudo espero que me ofereçam a oportunidade de participar num curso de consciência do excesso de velocidade. Apesar de ser um curso caro, é algo que me irá evitar pontos na carta de condução e irá de certa forma elucidar-me. E digo "de certa forma" pois a verdade é que já estou consciente o suficiente do erro que cometi. Com isto aprendi a não julgar os condutores que me rodeiam. Antes de receber a carta tinha tendência a "colar-me" ao carro da frente e na verdade a revoltar-me por o condutor da frente ir tão devagar. Com esta carta aprendi a reduzir a velocidade e a sentir-me talvez na posição daqueles condutores que se sentiam mal quando eu me "colava" à traseira deles. Isto porque hoje sou eu o condutor "lento" (mas que respeita os limites de velocidade) e a ter o cola atrás de mim (a exceder os limites de velocidade). E sabem o que aprendi? A não julgar e a saber lidar com essa pressão. E parecendo que não tenho notado que a minha condução tem sido menos agressiva e até a minha atitude como condutora é mais calma. Como se não bastasse aprendi também que para além de não julgar os outros, está em primeiro que tudo a segurança de todos na estrada e como tal há que respeitar os limites de velocidade. Eles estão lá por um motivo óbvio, a nossa segurança. A dos condutores e a dos peões. Pelo que sim, sinto um enorme embaraço em partilhar este pequeno episódio da minha vida com vocês, mas também sinto que as pessoas precisam deste pequeno alerta pois parecendo que não ainda há muito condutor ingênuo nas estradas e que anda com o "rei na barriga" como se costuma dizer (tal como eu). É preciso ter-se consciência de que tudo acontece a seu tempo.

Saturday, 28 May 2016

...É a nossa atitude que demonstra maturidade

Gostei de ler estas palavras em resposta ao meu comentário no blog da Estudante Amarelo. Foram palavras com sentido e que de certa maneira bateram forte cá dentro. Ao ler este artigo publicado pela Estudante a única coisa em que pensei (de forma egoísta) foi em mim e como me sinto inferior na forma como me tratam na Empresa (equipa) onde trabalho por ser a mais nova. Respondendo a esse mesmo artigo da seguinte forma "Considero que isso nem sempre é bom. Tenho cara de menina, sempre tive. E com 25 anos ainda há gente a nivel profissional que nao me consegue levar a sério. Na verdade chegam-me a tratar como uma criança. E isso parecendo que nao afecta, pois a forma como nos vestimos ou parecemos nao devia nunca influenciar aquilo que fazemos pela empresa, aquilo que fazemos pelo nosso trabalho. Mas compreendo o teu ponto de vista." e esta foi a resposta que recebi da Estudante "sim, talvez nem sempre seja bom ;) e claro que a aparência não deveria influenciar a forma como nos tratam. Mas, na vigência dessa possibilidade, é a nossa atitude que demonstra maturidade :)". E gostei realmente de ler estas palavras, de perceber o sentido destas palavras e como em certa medida a forma como me sinto poderá estar errada. E senti que ainda com 25 anos talvez seja isso mesmo que me falte, maturidade. Pois a minha atitude talvez não seja das mais adultas quando desafiada ou posta em causa, mas a verdade é que nunca disse que o era. E talvez seja aí que esteja o erro. Nao o facto de me sentir inferiorizada e talvez não ser levada a sério, mas o facto de não saber lidar com essa injustiça. Ao invés deixou-me afectar de tal maneira que perco qualquer direito de ter razão e de me senti inferior. Mais uma lição a aprender. Se há coisa que estou sempre a dizer, é que todos os dias aprendo uma coisa nova.

House - série televisiva


Não é a primeira vez que vejo e revejo a série House e continuo sem me cansar de ver esta série. É de forma geral elucidativa e viciante. House obviamente é o personagem principal desta série e basicamente a série gira em volta de casos raros onde o objectivo de House e da sua equipa é determinar o tão raro diagnóstico que vai concluir o caso de cada episódio. A série no geral proporciona vários altos e baixos de emoções em mim. Tanto dá para chorar como para rir e é isto que basicamente me prende à série, não é de maneira nenhuma aborrecida e acaba também por ser interessante. Mas hoje resolvi apenas partilhar a minha opinião em relação ao episódio treze da sexta temporada (5-9) de House, onde o episódio é praticamente um desenrolar de uma rotina diária da vida de Lisa Cuddy, mais uma das personagens que tanto admiro nesta série. Neste episódio em particular não há grande demonstração da descoberta de um raro diagnóstico mas ao invés a vida atribulada de uma Administradora Geral de um Hospital e no desenrolar deste episódio percebemos que por detrás de uma máscara poderosa e inflexível está um ser humano com sentimentos. Neste episódio testemunhamos a vida stressante de uma pessoa do qual todos dependem e que no fundo não se pode permitir erros. Cuddy desde que decidiu adoptar Rachel não se permitia falhas como mãe e como tal é uma mãe dedicada a Rachel a 100%, fora quando a responsabilidade do trabalho chama. Como se não bastasse sendo a Administradora Geral de um Hospital bem prestigiado tem a responsabilidade de tomar decisões tanto mesquinhas como importantes. Como se ser mãe e ser responsável por um Hospital de grande importância não fosse suficiente ainda tem de lidar com o melodrama da sua vida amorosa com Lucas (e possivelmente House), conflitos sentimentais. Assim sendo como grande fã de Cuddy comecei a perceber o desenrolar do episódio e como a responsabilidade de se ser Cuddy nem sempre é fácil. De forma geral tentei transpor o irreal da televisão para o real da nossa vida como a conhecemos. A vida no geral não é de todo fácil, mas pondo os olhos em personagens como Cuddy, personagens que têm a sua cota parte de real fez-me (faz-me) pensar que a minha vida não é de todo complicada. Muito pelo contrário. E no entanto porque sinto eu que às vezes tudo é uma constante pressão? Um peso nas minhas costas? Se Cuddy, como mãe, mulher bem sucedida a nível professional e companheira fiel consegue ganhar este debate diário entre ela, porque não tento eu também? Pois no fundo a força de vontade tem de partir de nós de sermos bem sucedidos e felizes. Este episódio é sem dúvida um abrir de olhos (espero que definitivo) para me tornar numa pessoa melhor, numa pessoa mais confiante e mais feliz. Admiro pessoas que em semelhança à Cuddy lutam por um dia melhor, um dia com um sorriso nos lábios e altas expectativas. Quero ser assim, apesar dos baixos que enfretamos diariamente poder ter a determinação de me manter lá no topo.
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